A querela entre Donald Trump e Kim Jong-un pode ser literalmente coisa de loucos. Ou de fingidos…

Há quase cinquenta anos, Richard Nixon foi o primeiro a se valer de uma estratégia aparentemente comum no governo norte-americano para intimidar seus inimigos no complexo cenário das relações internacionais. Envolvido no ardores da guerra fria com a ex-União Soviética (URSS), Nixon pode ter pretendido passar a imagem de uma pessoa mentalmente instável afim de que seus adversários externos pudessem pensar que a qualquer momento ele poderia por o mundo em chamas, acionando o seu botão nuclear. Possivelmente, queria que os os vietnamitas acreditassem em tal insanidade, para se sentirem intimidados durante a guerra do Vietnã. Pelo menos é o que diz a “Teoria do Loucos”, uma estratégia supostamente utilizada por líderes mundiais, guardiões de arsenais nucleares. A ideia seria passar uma imagem de total imprevisibilidade quanto às suas ações imediatas.

Agora, em pleno século 21, ano de 2017, seria a vez de Donald Trump fazer o papel de mentalmente instável para intimidar a Coreia do Norte, país aparentemente governado por outro adepto da teoria. Neste sentido, para Trump, ter sido chamado por Kim Jong-un de “mentalmente peturbado” após seu ameaçador discurso na 74ª Assembleia Geral da ONU, pode ter sido um sinal de que a estratégia vem funcionando; por outro lado, o próprio Trump também já usou sua conta no Twitter para chamar Kim de louco, ao afirmar que o líder norte-coreano é um “louco que não se importa de morrer e matar de fome o seu povo”.

Mesmo antes de assumir a presidência, Donald Trump já dava sinais de que a marca de seu governo seria a da imprevisibilidade. E desde então, tem cumprido à risca a promessa. Quando perguntado sobre os rumos de sua política internacional, respondeu ao jornal The Washington Post: “temos que ser imprevisíveis“. Assim, todo o espetáculo de ameaças e atitudes desconexas que Trump faz questão de mostrar ao mundo, não passaria de uma estratégia, friamente calculada como grife para seu governo. Simplesmente, uma maneira assustadora de intimidar o mundo ou qualquer país que queira interpor-se aos interesses dos Estados Unidos (EUA). No entanto, quando trata-se de uma questão que põe em risco centenas de milhares de vidas, tratar com prudência a loucura ou frieza de Trump, nunca será demais.

Para a historiadora Joan Holf, biógrafa de Nixon, entre ele e Trump há uma grande diferença. Defensora de que a “teoria dos loucos” pode estar sendo usada por Trump, acredita que Nixon jamais usou de tal artifício, já que era um profundo conhecedor dos assuntos referentes às relações internacionais; ao contrário de Trump, que segundo a historiadora, é completo desconhecedor da questão.

Para alguns estudiosos, a “teoria dos loucos” poderia colocar o mundo sob o risco de uma guerra nuclear, uma vez que gera instabilidade e insegurança, mas ainda assim, teria alguma utilidade em um contexto de crise, já que impede exatamente ações impensadas devido ao receio de ambos os lados do que o outro seria capaz de fazer.

Se a teoria dos loucos é ou não algo levado a cabo de forma deliberada pelos líderes mundiais jamais poderemos saber. A nós só resta esperar que nenhum deles seja realmente louco o bastante.

Links:

– Kim Jong-un diz que ‘mentalmente perturbado’ Trump irá pagar caro por discurso

– Trump contra-ataca e chama “louco” a Kim Jong-un

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