Donald Trump ameaça destruir a Coreia do Norte. A que ponto isto leva o mundo ao risco de uma tragédia nuclear?

Em seu discurso de estreia na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, falou à Coreia do Norte com uma retumbante ameaça de “destruição total”. Isso, a rigor, poderia colocar o mundo sob o risco de uma hecatombe nuclear, uma vez que a Coreia do Norte também possui arsenais nucleares, embora de potencial desconhecido, mas possivelmente capazes de atingir sua vizinha Coreia do Sul, o Japão e talvez até mesmo territórios dos EUA. Além do que, é de se esperar que a Rússia e sobretudo a China, principal aliada política e econômico do regime de Kim Jong-un, não se conformariam tão facilmente com uma guerra no quintal de casa sem toma parte nas operações. Mas quais seriam as chances reais de uma guerra envolvendo a maior potência militar do mundo e o obscuro, mas irrequieto, país asiático? Ou quais seriam as soluções para silenciar de forma definitiva ou pelo menos arrefecer os ânimos do ditador norte-coreano?

Independente da solução pensada, Trump encontrará pelo caminho sempre um obstáculo de peso a dificultar suas ações. Embora a China já tenha aceitado e venha se esforçando para cumprir as últimas sanções econômicas impostas pela ONU à Coreia do Norte, ela sempre contrabalançará, conforme seus interesses, qualquer medida que os EUA queiram impor a Kim Jong-un. Seja pelas vias econômicas ou militares, no caminho de Trump sempre haverá uma grande muralha.

No início deste mês (setembro de 2017), a BBC Brasil publicou uma importante matéria conjecturando possíveis opções militares à disposição dos EUA para o impasse. Nenhuma delas, no entanto, seria passível de fácil execução sem colocar em risco, na pior das hipóteses, uma guerra nuclear. Desde a eleição de Trump a China vem trabalhando paulatinamente no aumento de suas ogivas, sem contar o desconhecido, mas aterrador, programa de armas nucleares da Coreia do Norte, que se torna uma possibilidade em jogo de altíssimo risco nas mãos de um intratável ditador.

Apesar das reiteradas afirmações de Trump, uma vez ponderados os riscos que uma medida drástica oferece ao mundo, é possível que não haja guerra, mas a contenda nos remete a um passado não tão distantes, com Oriente e Ocidente em rota de colisão quando EUA e URSS apontavam mísseis uns contra os outros, com ogivas nucleares de altíssimo poder destrutivo. O mundo, contudo era outro. Boa tarde das tensões que sustentaram a Guerra Fria já foram dilatadas, embora novas surjam a cada dia no mundo. Mesmo assim, tudo indica que apesar da retórica de Trump, a solução para a Coreia do Norte deva passar pela via diplomática, a menos que o mundo e mesmo Donald Trump, estejam dispostos a exporem-se ao risco de uma guerra de dimensões incontroláveis.

Se podemos estar certos de uma solução pacífica para a questão? Cautela nunca é demais. A história das relações internacionais está repleta de bons exemplos que nos fazem duvidar dos domínios da razão humana. No verão de 1914, apesar das tensões militares e diplomáticas que rondavam os governos europeus, ninguém acreditava em um conflito nas proporções que teve a Primeira Guerra Mundial. Bastou que um dos lados apertasse o gatilho primeiro para que a Europa quase inteira, em quatro anos, fosse reduzida às cinzas.

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