Páginas da História – História e Atualdiades https://historiaeatualidades.com.br Com o prof. Richard Abreu Tue, 22 Aug 2023 13:18:34 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Quem foi a primeira mulher a se tornar Deputada Federal no Brasil? https://historiaeatualidades.com.br/2023/08/22/quem-foi-a-primeira-mulher-a-se-tornar-deputada-federal-no-brasil/ https://historiaeatualidades.com.br/2023/08/22/quem-foi-a-primeira-mulher-a-se-tornar-deputada-federal-no-brasil/#respond Tue, 22 Aug 2023 13:18:34 +0000 https://historiaeatualidades.com.br/?p=15680 Em um ambiente majoritariamente masculino, Carlota Pereira de Queiroz teve a proeza de se tornar a primeira mulher a ocupar um assento no parlamento brasileiro, em 1934. Hoje, a representatividade feminina no Congresso Nacional é ainda de apenas 15% dos congressistas. Antes de Carlota, no entanto, o percentual de homens era de 100% dos representantes políticos dos brasileiros.

Quem foi Carlota Pereira de Queiroz

Carlota foi eleita no pleito de 1933 e assumiu sua vaga na Câmara dos Deputados (e por que não das Deputadas?), em 1934. Oriunda de uma tradicional família paulista e de ricos latifundiários do estado, era neta de Manuel Elpídio Pereira de Queiroz (1826-1915), que foi membro do Partido Republicano Paulista e fundador do jornal Província de São Paulo, que se tornaria, posteriormente, O Estado de São Paulo (Estadão).

Formada pela Escola de Magistério da Praça da República, Carlota cedo desiludiu-se com a profissão de professora, migrou para a Medicina, quando passou a ganhar notoriedade pública. Como médica, engajou-se na luta dos paulistas contra Vargas, durante a Revolução Constitucionalista de 1932 e arregimentou um corpo de 700 mulheres para atuar em um departamento de assistência aos feridos durante a guerra.

Atuação politica de Carlota Pereira

Embora proeminente representante feminina no campo politico brasileiro, Carlota Pereira Queiroz não foi uma defensora de pautas feministas. Sua atuação sempre esteve voltada para a defesa dos interesses do estado que a elegeu, São Paulo. Segundo sua biógrafa, a historiadora Teresa Cristina de Novaes Marques, Carlota era uma mulher de costumes conservadores que acreditava que o papel da mulher resumia-se à liderança de causas assistencialistas.

Após duas eleições para o Câmara dos Deputados, sua carreira no legislativo foi interrompida em 1937, com o golpe do Estado Novo, impetrado por Getúlio Vargas. Em 1945, tentou voltar ao parlamento mas não obteve sucesso. Sua última atuação política de relevância foi em 1964, quando despontou como liderança feminina em apoio ao golpe militar, que depôs João Goulart e instaurou uma ditadura cívico-militar no Brasil que durou até 1985.

Homenagens à primeira deputada brasileira

Em sua homenagem, e como forma de manutenção de sua memória e pioneirismo no campo político, a Câmara dos Deputados instituiu, em 2003, o prêmio “Mulher Cidadã Carlota Pereira de Queiroz”, que contempla, anualmente, mulheres com reconhecida atuação em prol da cidadania da Mulher e em defesa da igualdade de gênero, embora haja controvérsias quanto à atuação política de algumas mulheres indicada para a premiação.

Em 2021 foram foram agraciadas com a honraria a secretária nacional de Políticas para as Mulheres, Cristiane Britto; a desembargadora Salete Sommariva, coordenadora Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar de Santa Catarina; a fundadora do projeto Costurando Sonhos, Suéli do Socorro Feio; a ativista pelos direitos das empregadas domésticas Lenira Maria de Carvalho (1932-2021), postumamente; e, também in memoriam, a médica Terezinha Ramires (1931-2021), fundadora da Associação Alagoana Pró-Mulher.

Para saber mais, viste o site da Câmara dos Deputados.

]]>
https://historiaeatualidades.com.br/2023/08/22/quem-foi-a-primeira-mulher-a-se-tornar-deputada-federal-no-brasil/feed/ 0
O último cidadão soviético. O cosmonauta esquecido no espaço! https://historiaeatualidades.com.br/2022/09/18/o-ultimo-cidadao-sovietico-o-cosmonauta-esquecido-no-espaco/ https://historiaeatualidades.com.br/2022/09/18/o-ultimo-cidadao-sovietico-o-cosmonauta-esquecido-no-espaco/#respond Sun, 18 Sep 2022 10:24:00 +0000 https://richardabreu.com.br/?p=13902 No dia 25 de outubro de 1991, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) se desintegrava definitivamente, pondo fim a um conturbado período da história contemporânea, conhecido como Guerra Fria. Acabavam-se ali, em tese, as disputas polarizadas entre o Ocidente capitalista e a Oriente comunista. Claro, só em tese, pois na realidade o que mudava de fato era apenas o pano de fundo ideológico que pautava a Guerra Fria. Disputas acirradas, como se vê, até hoje dominam o horizonte econômico, político e militar e continuam a existir entre as grandes potências mundiais, de um lado e de outro do mundo.

Como se sabe, um dos produtos dessa disputa entre Oriente vs Ocidente, no século passado, foi o que ficou conhecido como Corrida Espacial. EUA e URSS disputavam palmo a palmo a vastidão do espaço. Os soviéticos tiveram a primazia de enviar o primeiro homem para um passeio fora da atmosfera terrestre, mas os EUA conseguiram a proeza de chegar primeiro à Lua. Conquistas espaciais àquela altura, traduziam-se em potentes materiais de propaganda para cada um dos lados. Mas, ao término desse concorrido período, uma história perigosa e inusitada nos chama a atenção: a odisseia de Krikalev e Anatoly Artsebarsky, dois cosmonautas russos, ‘equecidos’ a deriva no espaço enquanto, em Terra, seu país, a URSS, se desintegrava gradualmente.

O último cidadão soviético

Em 1986 a URSS havia dado um importante passo na corrida espacial, colocando em órbita, a primeira estação espacial tripulada permanentemente. Desde então, a Estação Espacial Mir (Mir que dizer “paz” ou “mundo” em russo), permaneceu tripulada por cosmonautas soviéticos e de outras nacionalidades até 2001, quando foi definitivamente desativada por falta de recursos. Em maio de 1991, Krikalev e Anatoly Artsebarsky, foram enviados para tripular a estação, mal sabiam, que em decorrência dos desdobramentos políticos que abalariam o mundo naquele período, seriam obrigado a permanecer em órbita pelo dobro do tempo em que haviam se preparado.

Naquele momento, em plena Perestroika, promovida pelo governo de Mikhail Gorbachev, poucos podiam acreditar que em tão pouco tempo a URSS deixaria de existir. Mas os fatos precipitaram-se mais rápidos do que se podia imaginar e em 25 de dezembro daquele ano, Gorbachev renunciou ao cargo de presidente da URSS e, em instantes, o império comunista ruiu, deixando no ar (literalmente) seus dois cosmonautas. A ordem era que o retorno fosse adiado… por tempo indeterminado.

Artsebarsky teve uma passagem discreta durante o tempo em que esteve na Mir. Krikalev, no entanto, celebrizou-se por se tornar um popular cosmonauta que costumava conversar do espaço, desde a sua primeira visita, em 1988, com pessoas comuns na Terra, por meio de um rádio amador.

A estadia de Krikalev na estação Mir havia sido programada para durar cinco meses, mas os eventos que eclodiram em seu país naquele ano, fez com que esse prazo se estendesse pelo dobro do tempo. Ao retornar à Terra, em março de 1992, seu país havia se dissolvido, sua cidade natal, Leningrado, havia se transformado em São Petersburgo e o mundo, definitivamente, era outro. Sequer, o lendário Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, que os haviam propulsionados ao espaço, pertencia mais ao imponente império soviético.

Durante todo o tempo que esteve em órbita, quase a deriva, sem saber ao certo que tipo de efeitos seu corpo sofreria com gravidade zero, por mais tempo do que havia se preparado, Krikalev conversava com sua esposa, que também trabalhava para o serviço espacial russo. O casal evitava assuntos desagradáveis. Krikalev sabia da gravidade dos fatos, mas sem informações oficiais, ao se comunicar com a esposa, nunca deixava transparecer as suas angústias.

Krikalev retornou à Terra firme em 25 de março de 1992, juntamente com Artsebarsky, depois de passar 312 dias em órbita. Nesse período, circundou a Terra por mais de 5000 vezes. Incorrigível, em 2000, fez parte da primeira tripulação que viajou à ISS (Espaço Espacial Internacional), um novo projeto de exploração espacial, agora fomentado por um modelo colaborativo entre vários países, anunciando novos tempos para a exploração espacial.

A história de Krikalev foi narrada pela BBC News, em 1993, no documentário “O último cidadão soviético”, que pode ser assistido por assinantes do canal.

Essa história pode ser lida na íntegra, no site Tilt, do UOL.

Um abraço, até a próxima!

]]>
https://historiaeatualidades.com.br/2022/09/18/o-ultimo-cidadao-sovietico-o-cosmonauta-esquecido-no-espaco/feed/ 0
Escolas para ‘Subnormais’ na Inglaterra. Mais uma triste página da história. https://historiaeatualidades.com.br/2022/01/02/escolas-para-subnormais-na-inglaterra-mais-uma-triste-pagina-da-historia/ https://historiaeatualidades.com.br/2022/01/02/escolas-para-subnormais-na-inglaterra-mais-uma-triste-pagina-da-historia/#respond Sun, 02 Jan 2022 15:11:00 +0000 https://historiaeatualidades.com.br/?p=15676 A história da humanidade está cheia de páginas tristes, construídas sobre irracionalidades que o homem pratica contra o homem. Essa é mais uma delas. Trata-se de um triste capítulo da história recente da Educação na Inglaterra que envolve racismo, separatividade e exclusão, que em sua versão mais crua, lembra o Apartheid na África do Sul. A história foi retratada em um documentário produzido pela rede de televisão BBC, posteriormente, virou um filme, chamado Educação, recentemente, exibido em Tela Quente, da TV Globo, como parte de sua programação especial para o dia da Consciência Negra.

O filme, tal como o documentário, é uma narrativa construída a partir de fatos reais, que remetem aos internatos que funcionaram na Inglaterra, entre os anos de 1960 e 70, cuja finalidade era acolher crianças abaixo do desenvolvimento cognitivo dito ‘normal’ para o padrão social vigente. Já não fossem cruéis o suficiente para separar os ‘normais’ dos ‘subnormais’, essas escolas receberam, por um determinado período de tempo, uma quantidade gigantesca de crianças negras, na maioria filhos e filhas de imigrantes caribenhos, que chegavam ao país em busca de melhores condições de vida.

Chamadas de Escolas para Subnormais (ESN), nome taxativo e corriqueiramente suavizado como “escolas especiais’, essas instituições de ensino, nos anos em que funcionaram, recebiam um percentual de crianças negras que correspondia a praticamente o dobro do de outras escolas. Nas escolas ESN o número de crianças negras era de aproximadamente 28%, enquanto essa taxa, era de aproximadamente 15% nas escolas comuns.

Conforme foi denunciado, na época, não havia critérios científicos válidos que justificassem o envio da maioria das crianças negras para as escolas ESN. Muitos testes de QI, que eram realizados com o intuito de classificar crianças como normais ou subnormais, não levavam em consideração o contexto de vida e a origem das crianças. Dessa forma, filhos de imigrantes, na maioria das vezes, saiam-se muito mal nos testes em função da dificuldade com a linguagem e não, propriamente, por possuir qualquer deficiência intelectual que os impedissem de frequentar uma escola comum.

Noel Gordon foi um dos estudantes das escolas ESN, cuja história foi retratada no documentário da BBC:

Na primeira noite no internato, Noel ficou deitado na cama sozinho, chorando e pedindo pela mãe. “Eu ainda consigo sentir o cheiro das carteiras velhas de madeira. E lembro de ser muito maltratado nos primeiros dias”, diz.
Um estudante lançou insultos raciais contra ele na sala de aula, mas não foi repreendido. O professor simplesmente pediu que se sentasse.
A escola não tinha currículo. Apesar de Noel ter recebido um livro de um professor, ele nunca foi ensinado gramática básica nem como escrever. Ele fazia algumas contas de somar e subtrair, mas, durante as aulas, só costumava fazer tarefas manuais e brincar.
Os pais só perceberam que tipo de escola era quando Noel, na época com 7 anos, recebeu um soco de um adolescente de 15 anos. Por causa do episódio, seu pai visitou o internato pela primeira vez.
Noel se lembra do pai dizendo para o diretor: “Essa escola é para crianças incapacitadas”. Ele diz que o diretor respondeu: “Sim, mas não gostamos de usar essa palavra. Nós chamamos de crianças com aprendizado lento.”
A descoberta foi devastadora, mas o pai de Noel sentiu que não tinha poder para mudar as coisas. Noel não teve a oportunidade de fazer testes educacionais e obter qualificações. Ao lembrar, ele diz que ser rotulado de “educacionalmente subnormal” o fez sentir inferior para toda a vida e provocou vários problemas psicológicos.
“Sair da escola sem nenhum diploma é uma coisa, mas sair da escola acreditando que é burro é algo completamente diferente. Acaba com sua confiança”, diz.

BBC

Inicialmente, os imigrantes que chegavam ao país tinham uma visão positiva das ‘escolas especiais’, por acreditarem que seus e filhos estavam sendo enviados para um ambiente propício de aprendizagem, que os fariam superar, inclusive, dificuldades culturais. No entanto, ao perceberam que se tratava, em verdade, de uma política xenófoba e de limpeza étnica das escolas para brancos na Inglaterra, passaram a pressionar o governo contra essa prática.

Um livro, publicado em 1971, “Como a Criança das Antilhas se Torna Educacionalmente Subnormal no Sistema de Educação Britânico“, escrito por Bernard Coard, que foi professor em uma escola para subnormais, impactou a opinião pública da época e, por fim, em 1980 o sistema de internato foi desativado.

Um grande abraço, até a próxima!

Essa história foi publicada em recente reportagem da BBC News, e está disponível para leitura em https://www.bbc.com/portuguese/geral-57472104.

]]>
https://historiaeatualidades.com.br/2022/01/02/escolas-para-subnormais-na-inglaterra-mais-uma-triste-pagina-da-historia/feed/ 0