A Assembleia dos Estados Gerais funcionava como um instituto da monarquia francesa, que reunia-se periodicamente por convocação do rei. Desde 1614, no entanto, não era convocada. Até que, em 1788, pressionado pela nobreza feudal, o rei Luís XVI convocou a Assembleia para tratar a profunda crise financeira pela qual passava o reino da França. A Assembleia reuniu-se em maio de 1789 e, a partir de então, desenrolaram-se os fatos que culminaram na Revolução Francesa.
Por que o rei convocou a Assembleia dos Estados Gerais de 1788?
Naquele momento a França atravessa uma profunda crise financeira. Um dos motivos centrais, era o alto endividamento do governo após a fracassada participação do país na guerra de independência dos EUA. Outros fatores contribuíam para a crise, entre eles, os altos custos de manutenção da corte, além de privilégios e benesses concedidas pelo rei a uma parte dos nobres e ao membros da Igreja, que formavam o clero.
Os nobres provinciais, embora também desfrutassem de privilégios na antiga estrutura de ordem feudal, sob a qual estava organizada a sociedade francesa, viam a centralização do poder nas mãos do rei um acinte ao poder que, antes, eles próprios detinham como verdadeiros soberanos em suas provinciais.
A última Assembleia dos Estados Gerais havia se reunido em 1614, desde então, com o processo de formação dos Estados Nacionais, durante a Idade Moderna, o poder estava cada vez mais centralizado nas mãos do rei, que ditava os rumos da nação sem necessidade de consultar órgão deliberativos. Isso excluía do poder decisório os senhores feudais, classe de onde originava-se a nobreza provincial.
Outros fatores para convocação da Assembleia
Outro fator de grande importância na rebelião da nobreza provincial contra o rei, no final da década de 1780, que culminou com a convocação da Assembleia Geral, foram as reformas que o ministro das finanças de Luís XVI, Calonne, tentou implementar para sanar a crise financeira do governo. Entre as medidas de Calonne, estava a proposta de cobrança de impostos de todos os proprietários de terras das provinciais francesas. Essa medida desagradava profundamente os nobres, não só pelo fato de terem que pagar impostos mas, principalmente, por que perder o privilégio da isenção afetava diretamente os seus status, colocando-os em condições de paridade com outros súditos reais não detentores de títulos nobiliárquicos.
Como era formada a Assembleia dos Estados Gerais
A Assembleia era composta pelas três ordens ou estamentos da sociedade francesa, com uma câmara em separado para cada um deles: Primeiro Estado, formado pelo clero; o Segundo Estado, formado pelos nobres; e o Terceiro Estado, formado pelos plebeus que não pertenciam ao clero e nem possuíam títulos de nobreza. No Terceiro Estado situava-se também a burguesia, classe em ascensão formada por ricos comerciantes, industriais e profissionais liberais. Durante as deliberações, votavam separadamente e cada Estado apresentava um voto.
Da Assembleia à Revolução
Na Assembleia de maio de 1789, que antecedeu e deu início à Revolução Francesa, o Terceiro Estado recorreu ao monarca para mudar a regra de votação. Como não obteve sucesso, durante a abertura dos trabalhos, seus membros insurgiram-se contra o rei e autointitularam-se Assembleia Nacional. Os demais estados, posteriormente, aderiram à Assembleia Nacional, e formaram uma Assembleia Constituinte. Cassaram os poderes absolutos do rei e fizeram da França uma Monarquia Constitucional. Era o início da Revolução Francesa.