É comum nos referirmos à chegada dos portugueses às terras que hoje formam o nosso formoso país como o “Descobrimento do Brasil”. Mas talvez devêssemos rever isso. Os portugueses não descobriram Brasil nenhum. Mas sim, acharam uma terra, muito populosa, por sinal, de nome Pindorama!
Era assim que os povos indígenas que aqui viviam chamavam essa porção terra, anos depois, encontrada e colonizada por Portugal. Mesmo depois da chegada dos portugueses, essas terras foram, ainda, batizadas por dois outros nomes, antes, finalmente, de se tornar Brasil. Primeiro foi Vera Cruz e depois Terra de Santa Cruz. Logo, Brasil mesmo, só depois de alguns anos da presença portuguesa por aqui.
Assim, ao falarmos em “Descobrimento do Brasil” incorremos, involuntariamente, em dois equívocos. Primeiro, porque não havia nenhum “Brasil” a ser descoberto. Depois, porque falando assim, subvertemos a legítima ordem da história, dando ao elemento estrangeiro o protagonismo de uma “descoberta”, quando é sabido que aqui já habitavam povos milenares.
Definitivamente, isso aqui não estava encoberto por nada. Dessa forma, ao falarmos em “descobrimento do Brasil”, referindo-nos à chegada da esquadra de Cabral, nada mais estamos fazendo que reafirmando o ponto de vista eurocêntrico da História, segundo a qual, aquele continente é o epicentro da história mundial.
Percamos, portanto, essa mania! Sob todos os aspectos, inclusive o da lógica, mais correto estaríamos em falar sobre o “achamento de Pindorama”. Evitaríamos um engano e honraríamos os verdadeiros donos da terra.