Pedagogia da autonomia, de Paulo Freire

Pedagogia da Autonomia, de Paulo Freire, foi o último livro escrito pelo autor, antes de falecer, em 1996. Foi editado pela editora Paz e Terra, e em sua 39º edição, em 2009, alcançou a marca de um milhão de exemplares vendidos. Esta edição conta com prefácio da amiga e companheira de jornada do Paulo Freire, a profa. Edna Castro de Oliveira, e está dividido em três capítulos principais e o prólogo do autor, intitulado “Primeiras Palavras”.

Neste breve resumo, no ateremos especificamente ao prólogo do livro, “Primeiras Palavras”. Acreditamos, assim, permitir suficiente compreensão da temática do livro,  afim de aguçar a curiosidade do leitor interessado para que leia a obra completa. Em publicações subsequentes, resumiremos os três outros capítulos, “Não há docência sem discência”; “Ensinar não é transferir conhecimento” e “Ensinar é uma especificidade humana”.

Pedagogia da Autonomia está a venda no site da Amazon Brasil, neste link, e também nas principais livrarias do país, ao custo aproximado de R$15,90 (edição deste resumo, em dezembro de 2019).

Primeiras Palavras, por Paulo Freire, em Pedagogia da Autonomia.

Em Pedagogia da Autonomia, Paulo Freire retoma os principais conceitos de sua vasta obra de mais de quarenta livros publicados, muito deles, traduzidos para outros idiomas. O prefácio da obra, escrito pela professora Edna Castro, explica-nos que as ideias ali retomadas, “resgatam de forma atualizada, leve, criativa, provocativa, corajosa e esperançosa, questões que no dia a dia do professor continuam a instigar o conflito e o debate” (FREIRE, 2009, p. 9).

Assim, podemos esperar em Pedagogia da Autonomia, uma retomada vigorosa de ideias já debatidas pelo autor, mas não esgotadas, sempre atuais e presentes, agora ampliadas e, porque não, ressignificadas:

É nesse sentido, por exemplo, que me aproximo de novo da questão da inconclusão do ser humano, de sua inserção num permanente movimento de procura, que rediscuto a curiosidade ingênua e a crítica, virando epistemologia. É nesse sentido que reinsisto em que formar é muito mais do que puramente treinar o educando no desempenho de destrezas, e por que não dizer também da quase obstinação com que falo de meu interesse por tudo que diz respeito aos homens e às mulheres, assunto de que saio e a que volto com o gosto de quem a ele se dá pela primeira vez.

(FREIRE, 2009, p. 14)

Freire nos apresenta, no capítulo introdutório, “Primeiras Palavras”, a intrínseca relação entre ética e o trabalho docente, preocupado em deixar claro que uma não se desvincula da outra.

Gostaria, por outro lado, de sublinhar a nós mesmos, professore e professoras, a nossa responsabilidade ética no exercício de nossa tarefa docente. Sublinhar esta responsabilidade igualmente àquelas e àqueles que se acham em formação para exercê-la. Este pequeno livro se encontra cortado ou permeado em sua totalidade pelo sentido da eticidade que conota expressamente a natureza da prática educativa, enquanto prática formadora.

(FREIRE, 2009, p. 15)

De que ética, no entanto, nos fala Freire? Para o autor, “é preciso deixar claro que a ética” de que fala “não é a ética menor, restrita, do mercado, que se curva obediente aos interesses do lucro” (FREIRE, 2009, p. 15). Paulo Freire nos fala da “ética universal”, aquela que sabe ser maior que os interesses mesquinhos que deturpam o princípio de humanidade em cada homem e cada mulher em nome do imediatismo das soluções fáceis, do egoísmo puro e simples que distancia o eu do outro, que falseia as relações, que se submete aos jogos de poder. Tanto do poder institucional quanto das relações do cotidiano.

Num encontro internacional de ONGs, um dos expositores afirmou estar ouvindo com certa frequência em países de Primeiro mundo a ideia de que crianças do Terceiro Mundo, acometidas por diarreia aguda, não deveriam ser salvas, pois tal recurso “só prolongaria uma vida já destinada à miséria e ao sofrimento”. Não falo, obviamente, desta ética. Falo, pelo contrário, da ética universal do ser humano .

(FREIRE, 2009, p. 15)

Como sujeitos históricos, estamos em constante transformação. Somos produtos da história, ao passo que somos também os produtores da história. Isso nos impõe a constante responsabilidade da reflexão, da superação dos padrões rígidos, em torno dos quais, aglutinam-se os falsos moralismo, a hipocrisia e a deturpação da pureza em puritanismo, “por isso mesmo”, diz Freire, “uma de nossas brigas na História é exatamente essa: fazer tudo o que possamos em favor da eticidade, sem cair no moralismo hipócrita, ao gosto reconhecidamente farisaico” (FREIRE, 2009, p. 17).

Pedagogia da Autonomia é um livro que carrega esperanças. É otimista, mas não ingênuo. Em suas palavras, Freire deposita a esperança na superação do discurso fatalista, construído ideologicamente por aqueles que acham e aqueles que querem que o mundo seja assim, dado a priori e não construído por cada um de nós.

A ideologia fatalista, imobilizante, que anima o discurso neoliberal anda solta no mundo. Com ares de pós-modernidade, insiste em convencer-nos de que nada podemos contra a realidade social, que de histórica e cultural, passa a ser ou virar “quase natural”.

Por fim, Freire adverte-nos, em suas “Primeiras Palavras”, o que espera de seu leitores: senso de crítica e curiosidade, para entregar-se à leitura de seu livro com o espírito atento, vivaz, participativo e não como um mero consumidor de informações: “De uma coisa qualquer texto necessita: que o leitor ou a leitora a ele se entregue de forma crítica, crescentemente curiosa. É isto que este texto espera de você, que acabou de ler estas Primeiras Palavras” (FREIRE, 2009, p. 20).

Tenha uma boa leitura!

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