Na madrugada do dia 3 de janeiro, o comboio em que trafegava Qasem Soleimani foi atingido por mísseis disparados por drones controlados pelos EUA quando deixava o aeroporto de Bagdá. Na comitiva, também se encontrava Abu Mehdi Al Muhandis, chefe de uma milícia xiita no Iraque. O ataque foi ordenado pelos Estados Unidos, sob o comando do então presidente Donald Trump, que justificou a ação como uma medida defensiva para evitar ataques iminentes contra cidadãos americanos.
Quem era Soleimani?
Qasem SoleimanI era líder supremo da Guarda Revolucionária Iraniana, conhecida também como Força Quds, uma espécie de força paralela ao exército oficial do país, criada a partir do triunfo da Revolução Iraniana, liderada pelo aiatolá Khomeini, em 1979. Soleimani foi combatente na guerra Irã-Iraque nos anos 1980, galgou ao posto máximo da organização paramilitar e tornou-se um dos principais homens do regime iraniano nos últimos anos. Tinha o papel de articular todas as ações de interesse do Irã na região do Oriente Médio. Os EUA o acusam pela morte de cidadãos americanos em atos supostamente orquestrados pelo Irã, o último deles, a invasão à embaixada americana no Iraque no final de dezembro de 2019.
Consequências do atentado ao líder iraniano Soleimani
O assassinato de Soleimani provocou uma escalada significativa nas tensões entre os Estados Unidos e o Irã, aumentando a instabilidade na região do Oriente Médio. O Irã prometeu vingança e retaliou realizando ataques com mísseis contra bases militares americanas no Iraque. Esses eventos desencadearam uma crise que resultou em preocupações internacionais sobre um possível conflito entre os dois países. Algumas das principais consequências foram:
Instabilidade na região
O atentado contra Soleimani aprofundou a instabilidade no Oriente Médio. A influência e as conexões de Soleimani com grupos e milícias xiitas na região levaram a uma série de eventos subsequentes, incluindo ataques e confrontos no Iraque, Síria, Iêmen e outros países. Isso agravou os conflitos e a situação de segurança na região.
Retaliação iraniana e ataques a interesses americanos
O Irã prometeu vingança pelo assassinato de Soleimani e realizou ataques diretos a interesses americanos no Iraque. Isso incluiu o bombardeio de bases militares que abrigavam tropas dos EUA. Os ataques resultaram em lesões em militares americanos, mas não deixaram mortos.
Cancelamento do acordo nuclear
Após o assassinato de Soleimani o Irã anunciou que reduziria ainda mais seu compromisso com o acordo nuclear de 2015, firmado com os EUA e países da Europa, além de comunicar que aumentaria suas atividades nucleares. Esse acontecimento colocou em risco a estabilidade e a diplomacia na região.
Impacto geopolítico
O assassinato de Soleimani teve repercussões geopolíticas. Países como Rússia, China e aliados do Irã expressaram preocupação com a escalada das tensões e pediram moderação. Esses eventos também influenciaram as dinâmicas regionais, afetando o equilíbrio de poder e as alianças no Oriente Médio.
O que são as Forças Quds do Irã?
As Forças Quds, ou Força Quds ou Qods, são uma unidade especial da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã. Foi criada em 1980 por ordem do líder supremo do Irã, aiatolá Ruhollah Khomeini.
O objetivo principal das Forças Quds é conduzir operações militares e estratégicas no exterior, particularmente em países do Oriente Médio. Seu foco principal é apoiar grupos e organizações aliadas, especialmente aqueles que compartilham interesses e objetivos comuns com o Irã.
As Forças Quds são conhecidas por sua atuação em uma variedade de atividades, incluindo inteligência, operações clandestinas, treinamento de grupos aliados, fornecimento de armas e recursos, e aconselhamento militar. Elas têm desempenhado um papel significativo em conflitos e eventos em países como Iraque, Síria, Líbano, Iêmen e outros.
As Forças Quds são consideradas uma parte importante da estratégia regional do Irã, visando a proteção e a promoção dos interesses do país em diferentes países e contextos geopolíticos. Após a morte de Soleimani, o general Esmail Ghaani assumiu interinamente o comando da Guara Revolucionária Iraniana. Ghaani era um alto comandante das Forças Quds e trabalhou em estreita colaboração com Soleimani por muitos anos.
Qual a origem da rivalidade entre Irã e EUA?
Durante a ditadura do xá Reza Pahlevi, que durou de 1953 à 1978, Irã e EUA mantiveram uma relação amistosa, com trocas comerciais e culturais. O governo do xá, no entanto, era constantemente acusado por parte da população iraniana de submissão aos interesses norte-americanos em detrimento do bem-estar e prosperidade da própria população. Em 1978, liderados pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, parte da oposição se rebelou contra Reza Pahlevi e o destituiu do poder em 1979, proclamando o Irã, a partir de então, uma república islâmica, de caráter nacionalista, fortemente opositora à interferência dos EUA no país.
Khomeini instituiu reformas sociais e econômicas no Irã e cortou oficialmente relações com os Estados Unidos. Pouco mais de um ano após a consolidação da revolução, o governo americano, a fim de desestabilizar a ditadura teocrática iraniana, incitou a invasão do Irã pelo Iraque, então liderado pelo ditador Saddam Hussein. Os dois países travaram uma guerra de oito anos, com saldo de mais de um milhão de mortos.
Relações diplomáticas
Desde a instituição da república islâmica, portanto, Irã e EUA não mantém relações diplomáticas. Durante o governo de Bill Clinton (1993 e 2001), os dois países iniciaram o que parecia ser um promissor diálogo, interrompido pelo sucessor de Clinton na Casa Branca, George W. Bush (2001 a 2009). Bush não só interrompeu as negociações, como classificou o Irã como um país terrorista, colocando-o no “eixo do mal”, juntamente com a Coreia do Norte.
Com Barack Obama (2009 a 2017), houve nova tentativa de diálogo, mas a eleição de Donald Trump, em 2016, travou novamente as negociações, quando Trump resolveu retirar unilateralmente os EUA do acordo nuclear que vinha sendo costurado por Obama, esperança de que as duas nações pudessem, enfim, por fim às hostilidades recíprocas e encontrassem saída pacífica para as principais questões que as colocam em rota de colisão.
Fontes adicionais:
Quem é Esmail Qaani, sucessor de Qasem Soleimani à frente da força de elite militar do Irã
EUA matam o poderoso general iraniano Soleimani em um ataque no aeroporto de Bagdá
Por que o general iraniano Qasem Soleimani foi morto pelos EUA e o que acontece agora