A explosão em Beirute e um breve resumo da história do Líbano.

No dia 04 de agosto (2020), uma explosão de dimensões gigantescas destruiu parte de Beirute, capital do Líbano, deixando mais de uma centena de pessoas mortas, cinco mil feridos e uma estimativa de mais de trezentos mil desabrigados. Mais ainda: o porto de Beirute, que se constituía em um dos principais polos econômicos do país, epicentro da explosão, ficou totalmente devastado. Tragédia que se soma à grave crise econômica, política e social que há décadas consome o Líbano.

O Líbano

Com extensão territorial de 10.400 Km², o Líbano abriga uma população de aproximadamente dez milhões de pessoas. Entre os principais grupos étnico-religiosos, encontra-se uma maioria muçulmana, dividida entre sunitas e xiitas, que forma quase 60% da população, e uma considerável comunidade de cristãos (ortodoxos, católicos e protestantes). Além disso, desde o século passado o Líbano abriga extensos campos de refugiados com palestinos que fugiram de Israel e, mais recentemente, de sírios, que desde o início da guerra da Síria, cruzaram a fronteira norte do país fugindo do conflito.

Localizado na Ásia Ocidental, o Líbano faz fronteira ao sul com o estado de Israel; ao norte e a oeste é circundado pela Síria; e a leste, é banhado pelo mar Mediterrâneo. O território hoje ocupado pelo país, foi berço da civilização Fenícia, entre o primeiro e segundo milênio antes de Cristo.

História do país

A constituição do Líbano como país, no entanto, remonta às primeiras décadas do século passado, quando o país surgiu no mapa geopolítico do Oriente Médio. Após o fim da Primeira Guerra Mundial, em 1918, com a desintegração do império Turco-Otomano, a França e a Grã-Bretanha, que saíram vitoriosas do conflito, dividiram a região que formava a Grande Síria conforme seus interesses particulares. O território que compõe o Líbano foi desmembrado e ficou sob domínio francês. Somente em 1941, com a França fragilizada pela Segunda Guerra Mundial, o Líbano conquistou a sua independência e, em 1943, a França retirou em definitivo as suas tropas do território libanês.

Desde então, alternando períodos de maior ou menor estabilidade, o país vive em meio e à sombra dos diversos conflitos que envolvem a região, e em 1976, mergulhou em uma caótica guerra civil que culminou, em 1982, com o assassinato do presidente Bashir Gemayel e consequente invasão de seu território pelo exército israelense. A guerra durou até 1990, mas as tropas de Israel permaneceram no sul do país até o ano 2000, quando foram substiutídas por forças do ONU.

Conflitos e situação atual

Permanentemente acossado pelos infindáveis conflitos regionais, agravados por suas próprias disputas internas, o Líbano vive hoje devastado pela corrupção política e pelo atraso econômico e sofre ataques constante à sua frágil soberania, tanto da parte de Israel quanto da Síria.

Soma-se ao flagelo vivido pelo país, a crise de refugiados no Oriente Médio provocada pela guerra na Síria. Estimativas da ONU indicam que desde 2011, o Líbano tenha recebido mais de 1,5 milhão de pessoas fugidas do conflito no país vizinho. Situação que agrava a precária condição do país e eleva as tensões locais. Os trágicos acontecimentos do último dia 4 de agosto (2020), colocam agora a prova, a capacidade do Líbano de sobreviver como uma nação soberana.

O pequeno país, clama pela solidariedade internacional!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *