Atividade sobre Racismo e a luta antirracista, para Ensino Médio – BNCC.

Atividade sobre Racismo e a luta antirracista, proposta para Ensino Médio, com habilidades e competências da BNCC.

Nesta atividade propomos uma reflexão sobre uma questão bastante pertinente aos nossos tempos: o racismo e a luta antirracista. Na atividade vamos trabalhar com o texto publicado em uma coluna de uma revista semanal de grande circulação nacional. A atividade contempla as Competências Específicas 1, 5 e 6 da área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas para o Ensino Médio, assim como as Habilidades EM13CHS101, EM13CHS504 e EM13CHS601 da BNCC.

A atividade faz uso do texto “Nem Cristo escapa: militante derrubaria estátuas brancas“, da colunista Vilma Gryzinski, publicado em junho de 2020, na revista Veja, abordando os principais pontos de vistas da autora sobre a ação do movimento Black Lives Matter, buscando contrapontos e convergências sobre a atuação do movimento.

Abordagem da temática

Um fenômeno que emergiu nos últimos anos nos EUA, na esteira de protestos antirracistas, desencadeados pelo assassinato de um homem negro por policiais brancos em maio de 2020. Espalhou-se fortemente pelo mundo, exigindo a retirada de locais públicos, de estátuas de ícones brancos, de pessoas que, de alguma forma, passaram à história carregando vínculos com o passado escravocrata de algumas nações ocidentais.

A medida que o movimento ganhou força, erigiu-se uma grande polêmica em torno da questão, com argumentos prós e contra a iniciativa. Em que pese a força dos argumentos de ambas a partes, exageros foram verificados dos dois lados, em atos, muitas vezes, irrefletidos sobre as próprias ações. Nos EUA, e em outros cantos do mundo, os governos ameaçaram criminalizar as ações de depredação dos monumentos públicos. O clamor das massas, no entanto, não sem razão, deixou um saldo de dezenas de estátuas decapitadas e monumentos de relevante valor histórico em ruinas.

Considerando a relevância do tema para o momento atual, julgamos ser de grande valor trazê-lo para reflexão dentro de sala de aula, onde questões históricas envolvendo racismo, escravidão, lógicas de exclusão e diferenças sociais, podem ser debatidos a luz da razão, e despertar o nosso interesse para questões que abalam o nosso tempo.

Competências e Habilidades da BNCC

Competências e habilidades da BNCC que serão trabalhadas nesta atividades:

Competência Específica 1: Analisar processos políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais nos âmbitos local, regional, nacional e mundial em diferentes tempos, a partir da pluralidade de procedimentos epistemológicos, científicos e tecnológicos, de modo a compreender e posicionar-se criticamente em relação a eles, considerando diferentes pontos de vista e tomando decisões baseadas em argumentos e fontes de natureza científica.

Habilidade: EM13CHS101: Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.

Competência Específica 5: Identificar e combater as diversas formas de injustiça, preconceito e violência, adotando princípios éticos, democráticos, inclusivos e solidários, e respeitando os Direitos Humanos.

Habilidade EM13CHS504: Analisar e avaliar os impasses ético-políticos decorrentes das transformações culturais, sociais, históricas, científicas e tecnológicas no mundo contemporâneo e seus desdobramentos nas atitudes e nos valores de indivíduos, grupos sociais, sociedades e culturas.

Competência Específica 6: Participar do debate público de forma crítica, respeitando diferentes posições e fazendo escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.

Habilidade EM13CHS601: Identificar e analisar as demandas e os protagonismos políticos, sociais e culturais dos povos indígenas e das populações afrodescendentes (incluindo as quilombolas) no Brasil contemporâneo considerando a história das Américas e o contexto de exclusão e inclusão precária desses grupos na ordem social e econômica atual, promovendo ações para a redução das desigualdades étnico-raciais no país.

Proposta de atividade

Em junho de 2020, a colunista da revista Veja, Vilma Gryzinski, publicou em sua coluna um texto bastante curioso: “Nem Cristo escapa: militante derrubaria estátuas brancas“ (24/06/2020). No texto, a autora promove uma reflexão sobre as ações do Movimento Black Lives Matter, especialmente, sobre um de seus signatários, o ativista Shaun King e suas propostas de retirada de estátuas de personagens históricos brancos de ambientes públicos. O texto de Vilma Gryzinski está disponível neste link. Você deve enviá-lo aos estudantes e em seguida, desenvolver com a turma as seguintes questões:

Questão 1:

A autora inicia seu texto fazendo duas referências a publicações de um certo militante do movimento “Black Lives Matter” (Vidas Negras Importam), identificado como Shaun King, publicadas em uma rede social. Em seguida, faz um paralelo entre a sua aparência e a de dois ícones da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, no século passado, Martin Luther King e Malcom X:

“(Shaun) King ganhou notoriedade como militante do Black Lives Matter. Usa até um bigodinho fino parecido com o de seu xará muitíssimo mais famoso, Martin Luther King, além de óculos e cabelos à la Malcolm X”

A partir da leitura do texto, pode-se inferir que a autora pretende enaltecer a figura de Shaun King e seu ativismo, comparando-o à Martin Luther King e Malcom X? Quem foram essas figuras históricas, Martin Luther King e Malcom X?

Questão 2:

Em uma de suas publicações de Shaun King, referidas pela autora, o ativista afirma:

“Na Bíblia, quando a família de Jesus quis se esconder, se misturar na multidão, adivinhe para onde foi? Para o Egito, não para a Dinamarca”

Por que Shaun King entende que a “família de Jesus” escolheu o Egito, e não o país europeu, para se esconder de perseguições?

Questão 3:

No trecho abaixo, a autora aponta o que seria um contrasenso do movimento Black Lives Matters, quanto a derrubada de estátuas de alguns personagens históricos. Para isso, cita nomes como George WashingtonCristóvão Colombo e Ulysses Grant como possíveis alvos do movimento:

“Quando George Washington é tombado e urinado, Cristovão Colombo decapitado e nem o general Ulysses Grant, o comandante das forças unionistas que derrotaram os estados confederados sublevados para manter a escravidão escapa, a coisa está pavorosa.”

Por que a autora entende que a retirada de estátuas públicas desses personsagens, principalmente de Ulysses Grant, mostra-se como um ato radical e de pouca reflexão da parte do movimento Black Lives Matters?

Questão 4:

O ponto central do texto da autora, gira em torno da ideia de Shaun King, que propõe retirar de igrejas e locais públicos, representações em imagens que retratam Jesus em tons de pele claros. Para embasar seu ponto de vista, a autora cita uma outra publicação do ativista:

“Todos os murais e vitrais do Jesus branco e sua mãe europeia e seus amigos brancos devem vir abaixo. São um instrumento da supremacia branca”

A partir a leitura do texto da autora, você entende que ela é contra ou a favor às ideias de Shaun King?

Questão 5:

Em determinado momento, a autora afirma:

“Todo mundo sabe que as representações de Cristo são uma projeção dos traços dos fieis nos países de origem, incluindo as imagens com feições indígenas e orientais, adaptadas principalmente pelos jesuítas quando eram os soldados da linha de frente da evangelização”

E para corroborar a sua afirmação, indica obras de Caravaggio, um importante expoente da pintura barroca italiana do século 17, sustentando que:

“Em seus quadros, o divino e o humano saltam da tela, com os corpos barrocamente retorcidos banhados pela iluminação cinematográfica. A brancura é mais a antecipação da morte, na série da Via Crucis, do que uma representação racial. E os personagens que cercam Jesus definitivamente não tomariam café num balcão do Alabama na época da segregação racial no Sul dos Estados Unidos.”

Por que, para a autora, os personagens “que cercam Jesus” nas representações de Caravaggio, não seriam dignos de tomar um “café num balcão do Alabama na época da segregação racial nos Sul dos Estados Unidos”?

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