O édito de Constantino que consagrou o domingo como um dia de descanso.

Em quase todo o mundo ocidental o domingo é considerado oficialmente como um dia de descanso. Em países, como o Brasil, cuja legislação trabalhista avançou em direitos para os trabalhadores, a Constituição Federal consagra o domingo como dia de repouso semanal, com previsão de remuneração diferenciada quando exercido como dia útil.

Em um mundo globalizado, regido pelas engenhosas engrenagens do mercado financeiro, podemos considerar o domingo, então, quase que universalmente como o dia do descanso, já que as bolsas de valores não funcionam e não há operações bancárias, o que faz do domingo, um dia sem atividades úteis para o mercado.

De onde, no entanto, herdamos a tradição de guardar o domingo como dia de repouso semanal?

Origem do dia de Domingo

As raízes do domingo como dia de descanso remontam a um édito publicado pelo Imperador Flávio Constantino, no ano de 321 d.C. Em seu famoso édito, Constantino estabelecia que “todos os juízes, todos os habitantes da cidade, e todos os mercadores e artífices descansem no venerável dia do Sol“. Os trabalhadores do campo, no entanto, podiam fazer uso do domingo como dia útil, conforme concluía a sentença: “Não obstante, atentem os lavradores com plena liberdade ao cultivo dos campos: visto acontecer com frequência que nenhum outro dia é tão adequado à semeadura do grão ou ao plantio da vinha, daí o não perder o tempo oportuno dos benefícios concedidos pelo céu“. Desde então, no mundo ocidental, forte tributário da cultura greco-romana, o domingo passou a ser um dia reservado ao descanso e ao culto religioso.

Domingo, o venerável dia do Sol

Em inglês, o domingo chama-se “sunday”, e isso, literalmente, quer dizer “dia do Sol”. Não se trata de uma tradução direta, mas da forma como cada idioma denominou os dias da semana. Em alemão, por exemplo, o domingo chama-se “sonnetag”, que a exemplo do inglês, em tradução livre, quer dizer a mesma coisa, “dia do Sol”. Tanto o inglês quanto o alemão são idiomas que partilham um tronco linguístico comum, o germânico. Já o português, tal com o espanhol e outras línguas, com o italiano e o francês, são derivados do latim. Em espanhol, o domingo chama-se “domingo” mesmo, em italiano “domnique” e, em francês, “domenique”, ou seja, a palavra “domingo” com alguma pequenas variações.

Domingo ou Sunday?

A palavra Domingo deriva do latim, Dominus, que quer dizer “Senhor”. Dies Dominus, portanto, do latim, traduz-se por “Dia do Senhor”. Em inglês, o dia chama-se Sunday, que em tradução livre quer dizer “Dia do Sol”. Em nossa cultura persistiu a tradição latina, logo, no Brasil, e em outros países cujo tronco linguístico é o latim, a exemplo daqueles que falam o Espanhol, o primeiro dia da semana chama-se Domingo. Em italiano Domenica e em francês, Dimanche. Mas, entre os povos, cujo idioma tem origem no tronco-linguístico germânico, a exemplo dos inglês, o nome do dia foi preservado como dia do sol, em tradução para o inglês, Sunday. No alemão, por exemplo, o domingo chama-se Sonntag. Sol, em alemão, é sonne, e dia é tag.

Quando o cristianismo suplantou o paganismo, em número e em importância política no Império Romano, pouco a pouco, o culto dedicado, inicialmente, ao deus pagão Solis Invictus, foi direcionado pela Igreja, para o dogma cristão, fazendo do domingo o dia das práticas e ritos devotados a Jesus Cristo.

Domingo, portanto, do Latin, é Dia do Senhor. Na Roma pagã, era o dia de adorar ao deus Solis Invictus, o ‘senhor’ deles. Herdado, portanto, da tradição pagã romana de adorar ao seu deus nesse dia da semana, permaneceu, na cultura cristã, a prática de fazê-lo, mas agora voltada para a divindade em que acreditavam, Jesus Cristo. Dai o motivo das missas serem realizadas, tradicionalmente, até dias de hoje, aos domingos.

Gostou de saber? Bom domingo a todos!

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