Neste post vamos desenvolver uma reflexão sobre Memória e Identidade e como são constituídas as memórias sociais e coletivas de um povo para entender como se formam nossas identidades. Seria possível uma vida coletiva e social se não tivéssemos memória? Vamos refletir e descobrir um pouco mais sobre essas questões como essa.
Memória, reflita sobre isso:
Imagine que você está saindo da sua escola e repentinamente sofre um apagão e esquece de tudo. Simplesmente, é tomado por uma súbita falta de memória! Você para por um momento e tenta lembrar de quem você é, de onde está vindo e para onde vai. E não consegue lembrar de nada! Nem mesmo que acabou de sair da escola e que estava indo para casa. Não lembra o seu nome e nem quem são seus pais. Não reconhece seus amigos, nem seus professores e ninguém por perto lhe parece familiar. Isso não seria assustador?
Só de pensar em algo assim, aposto que você sentiu um friozinho na barriga. Pois essa seria realmente uma situação de causar pânico, não é mesmo?
E com poderíamos viver em sociedade sem memória?
Mas, aproveitando que nada disso aconteceu e que estamos apenas fazendo um exercício de reflexão sobre a importância da memória em nossas vidas, pare e pense um pouco! Imagine uma comunidade, um país ou uma nação inteira sem nenhuma memória do seu passado? Isso não seria assustador? Como poderíamos, por exemplo, nos identificarmos com um determinado povo ou lugar, se não nos reconhecêssemos como parte de sua cultura? E como seria possível reconhecer a cultura comum de um determinado grupo social, se não fossem as memórias que guardamos de suas tradições, dos seus costumes e de seus valores?
Este é um aspecto importantíssimo quando pensamos a memória a partir de uma perspectiva social. Ou seja, a memória coletiva de um determinado povo serve, entre outras coisas, para lhe conferir identidade! A partir dela, reconhecemos valores comuns, que são transmitidos de geração à geração. Isso forma uma cultura regional ou nacional, com a qual nos identificamos e passamos a nutrir um certo sentimento de pertencimento.
Identidade! Quem somos?
Nós, brasileiros, por exemplo, nos identificamos com certos símbolos nacionais. Alguns deles são a nossa bandeira, o nosso hino, alguns heróis nacionais como Tiradentes, José Bonifácio, entre outros. Esses são símbolos que fazem parte de nossa memória. Nós nos identificamos com esses símbolos e estabelecemos certo vínculo afetivo. Ao nos identificarmos com eles. Portanto, nos reconhecemos como brasileiros.
Em uma sociedade, porém, esses símbolos, em sua maioria, são construções sociais. Ao longo do tempo eles vão se estabelecendo e adentrando ao imaginário popular. De alguma forma, eles refletem a memória de grupos dominantes que alcançaram maior predominância social, seja por meio de conquistas, guerras ou domínios culturais de um povo sobre outro. Assim, nesse processo, podemos perceber que ocorre uma certa seletividade da memória social de um povo. Mitos representativos de alguns grupos sociais vão sendo construídos e lembrados. Por outro lado, outros vão sendo esquecidos. Dai a importância do trabalho dos historiadores. Eles os responsáveis por refletirem e problematizarem essas questões sociais. E então, vão resgatando e fazendo lembrar, também, a memória dos esquecidos, das minorias e dos oprimidos.
Nossa matriz social!
O Brasil, como você sabe, é um país de matriz étnico-racial bastante variada. Nossa matriz foi formada, inicialmente:
- pelos povos indígenas, nativos da terra;
- pelos portugueses, que chegaram posteriormente, como colonizadores;
- e pelo africano, que veio para o Brasil na condição de escravizado.
Da miscigenação inicial dessas três diferentes composições étnicas, acrescida de outras, posteriormente, formou-se o povo brasileiro e sua cultura. Dessa forma, temos, de norte a sul do país, uma enorme variedade cultural, cuja memória é preservada por meio de suas festividades religiosas, trajes típicos e costumes regionais. Um bom, por exemplo, é o hábito do gaúcho de tomar chimarrão, ou do mineiro, que são exímios feitores de pão de queijo. Essa prática, inclusive, tombada como patrimônio cultural brasileiro.
Por fim! A importância da História!
Ao final de tudo, podemos compreender, então, que as sociedades são organismos altamente complexos. São formadas a partir de seus processos históricos que, quase sempre, envolvem disputas de poder, tensões culturais, miscigenação de povos. Enfim, movimentos dinâmicos de desenvolvimento que geram memórias, que são preservadas como formas de identidade de um povo. Essas memórias, no entanto, são seletivas. Algumas são esquecidas e outras exaltadas. Aos historiadores cabe o papel de fazer o resgate dessas memórias, gerar reflexão sobre elas, fazendo representar, sobretudo, os esquecidos sociais.