Donald Trump: governo, principais aspectos e polêmicas.

Donald John Trump, nasceu em 14 de junho de 1946 e fez a sua carreira profissional como empresário e personalidade televisiva, até se tornar um político norte-americano, concorrendo à presidência dos EUA em 2016. Após eleito, tornou-se o 45º presidente dos Estados Unidos, com mandato de 20 de janeiro de 2017 a 20 de janeiro de 2021.

Donald Trump nasceu no bairro do Queens, em Nova York. Seu pai, Fred Trump, foi um bem-sucedido empresário do ramo imobiliário, caminho que Donald Trump seguiu quando começou a trabalhar nos negócios imobiliários da família. Neste ramo, desenvolveu e construiu propriedades em Nova York e em outros lugares do mundo, tornando-se conhecido por sua marca pessoal e estilo de vida extravagante. Também se envolveu em outros ramos de atividades, como jogos de azar, mídia e entretenimento.

Em 2004, Donald Trump iniciou sua incursão na televisão como apresentador e produtor-executivo do reality show “O Aprendiz” (The Apprentice). O programa tornou-se um sucesso de audiência e ajudou a consolidar a imagem pública de Trump como um empresário de sucesso.

Campanha eleitoral de Trump em 2016

Em 2015, Trump anunciou sua candidatura à presidência dos Estados Unidos pelo Partido Republicano. Sua campanha foi marcada por um estilo político não convencional e por declarações polêmicas. Durante a campanha, adotou o discurso que lhe daria a vitória na eleição: “Faça a América Grande Novamente”, prometendo diversas medida para a economia, imigração, comércio e política externa, visando o protagonismo global dos EUA.

Apesar das expectativas iniciais negativas, Trump conquistou a nomeação republicana nas prévias do partido e enfrentou, na disputa pela presidência, a candidata democrata Hillary Clinton nas eleições de 2016. Superando muitos prognósticos novamente, Trump venceu a eleição presidencial, obtendo a maioria dos votos no Colégio Eleitoral, embora tenha perdido as eleições no voto popular.

O mandato

Ao assumir a presidência em 20 de janeiro de 2017, Trump enfrentou uma série de desafios políticos. Fazendo jus às suas promessa de campanha, durante seu mandato buscou implementar uma agenda conservadora, incluindo reformas tributárias, desregulamentação de diversos setores, imigração restritiva e medidas protecionistas no comércio internacional. Além disso, esteve envolvido em diversas controvérsias, incluindo investigações sobre a interferência russa nas eleições de 2016, ano em que foi eleito, a destituição de altos funcionários do governo, polêmicas sobre a questão da imigração e relações tensas com a imprensa.

Campanha à reeleição e derrota para Joe Biden

Em 2020, Trump concorreu à reeleição contra o democrata Joe Biden. Após uma campanha acirrada e uma contagem de votos prolongada, Biden foi declarado o vencedor das eleições. Sua derrota, tanto no voto popular quanto no Colégio Eleitoral, culminou, em 6 de janeiro, na fatídica invasão do Capitólio.

Após deixar a presidência em 20 de janeiro de 2021, Trump optou por manter uma presença ativa na política norte-americana. Continuou a ser uma figura influente dentro do Partido Republicano deixando em aberto a possibilidade de concorrer novamente à presidência em futuras eleições. Seu estilo único de governança e postura populista renderam-lhe uma base leal de apoiadores, na mesma proporção, no entanto, em que geraram críticas intensas de seus oponentes.

Alguns aspectos do governo Trump

O governo de Donald Trump foi turbulento, tanto internamente, quanto para a geopolítica mundial. Durante seu mandato, Trump foi ambíguo em diversas de suas politicas. Estabeleceu relações controvérsias com a Rússia, radicalizou na condução da política com o Irã e manteve imprevisível movimento de aproximação com a Coreia do Norte, cujos resultados pareceram não ter ido além de meros espetáculos para a mídia internacional. Além disso, foi extremamente rigoroso em suas políticas para imigração, gerando diversas críticas e condenações por parte de organizações de defesa dos direitos humanos.

Política Imigratória do governo Trump

A política imigratória do governo Trump foi caracterizada por uma postura restritiva em relação à imigração para os Estados Unidos. A administração Trump procurou fortalecer as medidas de segurança nas fronteiras e limitar a entrada de estrangeiros ilegalmente no país, com o objetivo declarado de proteger os empregos e a segurança dos norte-americanos, derivando dai diversas medidas que impactaram o fluxo imigratório para os EUA.

O muro na fronteira com o México e política de tolerância zero à imigração

Uma das ações que mais ganhou destaque foi a promessa de construir um muro ao longo da fronteira entre os Estados Unidos e o México. Trump afirmou que a construção do muro seria uma medida crucial para impedir a entrada ilegal de imigrantes e o tráfico de drogas. Por diversas vezes, chegou a afirmar que os próprios mexicanos pagariam os custos da obra No entanto, o financiamento e a construção do muro enfrentaram resistência no Congresso e diversos desafios legais, não se concretizando plenamente.

Outra política chave foi a implementação da política de “tolerância zero” em relação à imigração ilegal na fronteira sul dos EUA. Essa política resultou na separação de crianças migrantes de seus pais ou responsáveis, o que gerou uma onda de críticas internacionais. Posteriormente, houve uma reversão da política de separação familiar diante da pressão pública.

Restrição à emissão de vistos

O governo Trump também buscou restringir a imigração legal por meio de várias ações e mudanças nas políticas. Foram implementadas restrições de entrada e emissão de vistos para cidadãos de determinados países, com base em preocupações de segurança nacional. Além disso, o governo tentou limitar a concessão de vistos de trabalho temporário e restringir o acesso a certos programas de imigração, como o programa de loteria de vistos.

O programa DACA (Deferred Action for Childhood Arrivals), que protegia jovens imigrantes indocumentados que foram trazidos aos Estados Unidos quando crianças, também esteve na mira da administração Trump. Em 2017, o governo anunciou planos para encerrar gradualmente o programa, mas várias decisões judiciais subsequentes mantiveram o DACA em vigor.

Críticas e reações às políticas imigratórias de Trump

A política imigratória de Trump gerou debates intensos e críticas de grupos defensores dos direitos dos imigrantes, organizações de direitos humanos e alguns líderes políticos. Os opositores argumentaram que as medidas adotadas foram desumanas, discriminatórias e contrárias aos princípios de inclusão e diversidade que historicamente têm sido uma parte importante da identidade dos Estados Unidos.

Por outro lado, apoiadores de Trump afirmaram que suas políticas eram necessárias para proteger os interesses e a segurança do país, bem como para garantir a aplicação adequada das leis de imigração. Essas políticas foram vistas como uma resposta às preocupações sobre a imigração ilegal e suas consequências sociais e econômicas para os EUA

Políticas de Trump em relação ao Brasil e à América do Sul

Durante seu mandato, o presidente Donald Trump manteve relações variadas com o Brasil. Embora não tenha havido uma grande reformulação nas relações bilaterais entre os dois países, algumas questões e políticas específicas se destacaram.

Comércio

Trump expressou interesse em fortalecer as relações comerciais entre os Estados Unidos e o Brasil. Ele destacou a importância do Brasil como um parceiro comercial significativo e elogiou as reformas econômicas implementadas pelo governo brasileiro. No entanto, não houve grandes avanços em acordos comerciais substanciais entre os dois países durante seu mandato.

Política ambiental

Trump retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris sobre o clima, que tem como objetivo combater as mudanças climáticas. O Brasil, por sua vez, expressou compromisso com o acordo e continuou a implementar políticas de preservação ambiental, como a proteção da Floresta Amazônica. Essa diferença na abordagem em relação às questões ambientais gerou algumas tensões entre os dois países.

Venezuela

Trump adotou uma postura dura em relação ao governo venezuelano de Nicolás Maduro. Ele reconheceu o líder opositor Juan Guaidó como o presidente interino da Venezuela e impôs sanções econômicas ao país. O governo brasileiro também apoiou Guaidó e manteve uma posição alinhada aos Estados Unidos nessa questão.

Imigração

Trump adotou uma postura restritiva em relação à imigração, como mencionado anteriormente. Embora não tenha havido uma política específica voltada para a imigração brasileira, as políticas de imigração de Trump tiveram implicações mais amplas para os imigrantes em geral.

No geral, a relação entre os Estados Unidos e o Brasil durante a presidência de Trump foi caracterizada por uma interação variada. Embora tenha havido algumas áreas de convergência, como no caso da situação na Venezuela, também houve diferenças em questões como meio ambiente e imigração. É importante notar que a relação bilateral entre os dois países é multifacetada e influenciada por diversos fatores, incluindo as políticas e prioridades específicas de cada governo.

Relação com a Rússia

A relação do governo Trump com a Rússia foi um tema bastante debatido e controverso durante seu mandato. Desde o início de sua campanha presidencial, Trump adotou uma postura mais conciliatória em relação à Rússia, expressando disposição para melhorar as relações bilaterais e trabalhar em conjunto em questões de interesse mútuo, como o combate ao terrorismo.

Durante seu mandato, Trump se reuniu pessoalmente com o presidente russo, Vladimir Putin, em várias ocasiões. A mais notável foi a reunião de cúpula em Helsinque, em 2018, na qual as declarações de Trump geraram críticas, pois pareciam questionar as conclusões das agências de inteligência dos EUA sobre a interferência russa nas eleições de 2016.

Apesar da postura conciliatória de Trump, o governo dos EUA impôs sanções econômicas a Rússia em várias ocasiões. Essas sanções foram, em sua maioria, em resposta à interferência russa nas eleições, à anexação da Crimeia, à agressão na Ucrânia e a outras ações consideradas como desestabilizadoras da geopolítica global.

Houve uma série de altos e baixos nas relações entre os EUA e a Rússia. Embora tenha havido momentos de cooperação, como a assinatura do tratado New START de controle de armas, também houve tensões, como o apoio dos EUA à Ucrânia, ações militares na Síria e disputas comerciais.

Trump e Kin Jong-un

Durante o seu governo, Trump e Kim Jong-un, líder da Coreia do Norte, realizaram duas cúpulas. A primeira ocorreu em junho de 2018, em Singapura, e a segunda em fevereiro de 2019, em Hanói, Vietnã. Essas cúpulas foram as primeiras reuniões entre os líderes dos Estados Unidos e da Coreia do Norte.

Um dos principais objetivos das cúpulas era buscar a desnuclearização da Coreia do Norte. No entanto, os resultados concretos foram limitados, com as negociações não avançando para além de declarações de intenção e compromissos vagos.

Apesar das cúpulas e das tentativas de diplomacia, as tensões entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte continuaram a existir. Em alguns momentos, houve trocas de retórica agressiva entre Trump e Kim, incluindo ameaças de guerra e insultos pessoais.

EUA e Irã durante o governo de Donald Trump

A relação entre o governo Trump e o Irã foi marcada por tensões e confrontos. Em maio de 2018, Trump anunciou a retirada unilateral dos Estados Unidos do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), conhecido como Acordo Nuclear com o Irã. Essa ação foi altamente controversa, pois o JCPOA era um acordo multilateral assinado em 2015, envolvendo o Irã, os Estados Unidos, a Rússia, a China, o Reino Unido, a França, a Alemanha e a União Europeia, e visava limitar o programa nuclear iraniano em troca do alívio das sanções econômicas.

Após a retirada do JCPOA, os Estados Unidos restabeleceram e ampliaram as sanções econômicas contra o Irã. Essas sanções tiveram como objetivo pressionar o Irã a modificar suas políticas regionais, seu programa de mísseis balísticos e suas atividades nucleares.

Confrontos militares

Durante o governo Trump, ocorreram diversos confrontos militares indiretos entre os Estados Unidos e o Irã no Oriente Médio. Isso incluiu ataques com drones, confrontos marítimos no Golfo Pérsico e o assassinato do general iraniano Qasem Soleimani em um ataque aéreo norte-americano em janeiro de 2020, em Bagdá, no Iraque. Esses incidentes aumentaram as tensões e geraram preocupações sobre a possibilidade de um conflito aberto entre os dois países.

O governo Trump adotou uma política de “pressão máxima” em relação ao Irã, com o objetivo de forçar o país a renegociar um novo acordo nuclear com termos mais favoráveis aos interesses dos Estados Unidos. Essa política incluiu medidas econômicas, diplomáticas e militares para aumentar a pressão sobre o governo iraniano.

Apesar das tensões e confrontos, houve momentos em que Trump expressou disposição para negociar diretamente com o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. No entanto, a proposta foi rejeitada repetidas vezes pelo governo iraniano, alegando não haver predisposição para o diálogo enquanto perdurassem as sanções impostas pelos EUA.

Atuação durante a pandemia de Covid-19

Durante a pandemia de Covid-19, houve diversas críticas à atuação do governo Trump, incluindo atrasos na implementação de medidas de controle e comunicação confusa. O governo também enfrentou desafios na expansão dos testes e na obtenção de equipamentos de proteção individual adequados para os profissionais de saúde.

Posteriormente, Trump lançou a Operação Warp Speed, um esforço para acelerar o desenvolvimento e distribuição de vacinas contra a doença. Essa iniciativa foi elogiada por sua abordagem agressiva na busca por uma vacina, resultando na autorização de várias vacinas em tempo razoavelmente rápido.

Ainda, durante a pandemia, em janeiro de 2020, o governo Trump implementou restrições de viagem para pessoas que estiveram na China e em outros países afetados. No entanto, algumas críticas surgiram em relação à eficácia dessas restrições e à resposta do governo ao problema, pautadas por disputas públicas entre Trump e especialistas em saúde pública, principalmente, sobre questões como o uso de máscaras, tratamentos adequados e a gravidade da doença. Além disso, houve preocupações sobre a disseminação de desinformação e teorias da conspiração relacionadas ao vírus.

Por fim, o governo Trump implementou alguns pacotes de estímulo econômico para ajudar a mitigar os impactos da pandemia na economia. Esses pacotes incluíram pagamentos diretos às pessoas, empréstimos a pequenas empresas e apoio a setores afetados.

Principais legados do governo Trump, para críticos e apoiadores

Política econômica: adotou uma série de políticas econômicas, incluindo cortes de impostos para empresas e indivíduos e medidas protecionistas em relação ao comércio internacional. Os defensores de suas políticas afirmam que elas contribuíram para o crescimento econômico e a criação de empregos, enquanto os críticos argumentam que os benefícios foram desigualmente distribuídos, além de contribuir para o aumento do déficit fiscal.

Nomeações judiciais: nomeou três juízes para a Suprema Corte dos Estados Unidos, moldando a composição ideológica do tribunal por muitos anos. Suas nomeações conservadoras foram bem recebidas pelos republicanos e preocuparam alguns democratas em relação a possíveis mudanças em decisões importantes sobre questões sociais e de direitos.

Política imigratória: implementou políticas mais rigorosas de controle de fronteiras, incluindo a tentativa de construção de um muro na fronteira com o México e a imposição de restrições de entrada a cidadãos de países de maioria muçulmana. Essas políticas foram elogiadas por seus apoiadores como medidas de segurança, mas criticadas por muitos por questões humanitárias e violação de direitos.

Relações internacionais: foi caracterizada por um estilo unilateral e imprevisível, crítica em relação a acordos e organizações multilaterais, como a Organização das Nações Unidas e a Organização Mundial do Comércio. Além disso, houve um foco em negociações comerciais bilaterais e uma postura mais rígida em relação a países como China e Irã.

Divisões e polarização: O governo Trump foi marcado por profundas divisões políticas e polarização na sociedade americana. Suas declarações e posturas muitas vezes geraram polêmica e debates acalorados. Alguns argumentam que ele capitalizou divisões existentes e acentuou a polarização política, enquanto outros veem suas ações como uma resposta ao sistema político estabelecidos.

Fim do governo Trump

Nos últimos dias de seu mandato, Trump tomou meras medidas administrativas, como assinatura de ordens executivas, discursos de despedida, além da concessão de perdões presidenciais. Marcou sua saída do poder, os empedernidos ataques ao sistema eleitoral dos EUA, que encontraram eco entre seus apoiadores, levando a graves consequências, como a invasão do Capitólio e outras tensões sociais.

Trump se tornou o primeiro, e até então, único presidente dos Estados Unidos a sofrer dois processos de impeachment, sendo um deles aprovado pela Câmara dos Representantes, embora tenha sido absolvido pelo Senado.

Inegavelmente, o governo Trump teve significativo impacto na política e na sociedade americana e sua postura populista, nacionalista e estilo de governança dividiram opiniões. Suas políticas abrangeram uma ampla gama de áreas, tais como imigração, comércio, relações internacionais, meio ambiente e saúde. Seu legado continua sendo objeto de debate e avaliação.

Fontes adicionais

Porque o encontro entre Trump e Putin importa

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Imigração nos EUA: a política de tolerância zero e o drama das crianças na fronteira

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