Em um ambiente majoritariamente masculino, Carlota Pereira de Queiroz teve a proeza de se tornar a primeira mulher a ocupar um assento no parlamento brasileiro, em 1934. Hoje, a representatividade feminina no Congresso Nacional é ainda de apenas 15% dos congressistas. Antes de Carlota, no entanto, o percentual de homens era de 100% dos representantes políticos dos brasileiros.
Quem foi Carlota Pereira de Queiroz
Carlota foi eleita no pleito de 1933 e assumiu sua vaga na Câmara dos Deputados (e por que não das Deputadas?), em 1934. Oriunda de uma tradicional família paulista e de ricos latifundiários do estado, era neta de Manuel Elpídio Pereira de Queiroz (1826-1915), que foi membro do Partido Republicano Paulista e fundador do jornal Província de São Paulo, que se tornaria, posteriormente, O Estado de São Paulo (Estadão).
Formada pela Escola de Magistério da Praça da República, Carlota cedo desiludiu-se com a profissão de professora, migrou para a Medicina, quando passou a ganhar notoriedade pública. Como médica, engajou-se na luta dos paulistas contra Vargas, durante a Revolução Constitucionalista de 1932 e arregimentou um corpo de 700 mulheres para atuar em um departamento de assistência aos feridos durante a guerra.
Atuação politica de Carlota Pereira
Embora proeminente representante feminina no campo politico brasileiro, Carlota Pereira Queiroz não foi uma defensora de pautas feministas. Sua atuação sempre esteve voltada para a defesa dos interesses do estado que a elegeu, São Paulo. Segundo sua biógrafa, a historiadora Teresa Cristina de Novaes Marques, Carlota era uma mulher de costumes conservadores que acreditava que o papel da mulher resumia-se à liderança de causas assistencialistas.
Após duas eleições para o Câmara dos Deputados, sua carreira no legislativo foi interrompida em 1937, com o golpe do Estado Novo, impetrado por Getúlio Vargas. Em 1945, tentou voltar ao parlamento mas não obteve sucesso. Sua última atuação política de relevância foi em 1964, quando despontou como liderança feminina em apoio ao golpe militar, que depôs João Goulart e instaurou uma ditadura cívico-militar no Brasil que durou até 1985.
Homenagens à primeira deputada brasileira
Em sua homenagem, e como forma de manutenção de sua memória e pioneirismo no campo político, a Câmara dos Deputados instituiu, em 2003, o prêmio “Mulher Cidadã Carlota Pereira de Queiroz”, que contempla, anualmente, mulheres com reconhecida atuação em prol da cidadania da Mulher e em defesa da igualdade de gênero, embora haja controvérsias quanto à atuação política de algumas mulheres indicada para a premiação.
Em 2021 foram foram agraciadas com a honraria a secretária nacional de Políticas para as Mulheres, Cristiane Britto; a desembargadora Salete Sommariva, coordenadora Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar de Santa Catarina; a fundadora do projeto Costurando Sonhos, Suéli do Socorro Feio; a ativista pelos direitos das empregadas domésticas Lenira Maria de Carvalho (1932-2021), postumamente; e, também in memoriam, a médica Terezinha Ramires (1931-2021), fundadora da Associação Alagoana Pró-Mulher.
Para saber mais, viste o site da Câmara dos Deputados.